bem , e nessas suas ausências que me estragavam a alma de tristeza, escrevi o Ler Antes de Escrever pro Sávio. escrevi deitada na cama, enquanto chorava pensava em umas coisas pra te dizer. me veio a ideia de pegar um lápis e escrever tudo pra não esquecer, fiz isso na parede pra no dia seguinte repassar pro papel... Essa minha mania de escrever como se estivesse falando com ele... a linha que divide o receptor é tênue.
segue o texto
escrito em 10 de novembro de 2012
Eu não gosto de críticas. Não gosto delas quando eu, na minha visão de mundo, estou crente da minha verdade. Não gosto de ser chamada de burra, lerda ou ingênua. Disponho de uma inteligência peculiar, um ritmo diferente e um coração selvagem. Eu que gosto tanto de falar de mim, eu diferente na minha concepção humana, na ânsia por uma vida prazerosa, eu que ainda não descobri o quero ser quando crescer, odeio ser contrariada com argumentos estapafúrdios. Depois de trinta anos assentindo com a cabeça para minha mãe, retruquei todas as suas acusações contra a minha pessoa. Sinceramente, nem gosto de lembrar desse dia, mas quero pôr aqui uma pedra no que me faz mal.
E tu, Sávio. Tu não vai dizer nada? Eu sei que tu não concorda com um par de coisas que eu digo. Se tu tivesse me dito tuas críticas, tu acha que eu já teria parado de te escrever? Me convença de que estou errada! Admito meu erro quando me dão bons argumentos. Agora dei pra sonhar com tua garota-incrível também, nas duas ultimas vezes que tu apareceste, lá estava ela (num grude como um calo no pé, usando um cabelo que nem o meu dessa última vez). E a gente, eu e você, de costas um pro outro pra eu trocar de roupa. Por que tu nunca me chamou, Sávio? Por que tu nunca quis me ver de perto? Por que tu nunca pediu pra eu parar de te escrever? Eu não ia te fazer nenhuma dessas perguntas, mas eu não aguento não fazê-las. Quem sabe de repente uma hora dessas tu resolve responder.
Quando eu era menina fazia coisas de menina. Quando adulta tenho que fazer coisas de adulta. Por que eu ainda não morri? Que merda. Dada aos extremos. Meu delicioso defeito. Mórbida, sórdida não. Infeliz, descontente. Eu quero morrer e quero viver, eu quero me afundar num buraco escrevendo sobre minha tragédia e joelhos frágeis, sobre meu coração aflito e confuso e sobre coisas que nunca vi, sobre uma incógnita até hoje indecifrável, tu. Por que ainda estou viva? Se num instante de perigo sei que lutaria pela vida? Sim! Porque ainda estou viva! O homem lobo na minha vida, eu me alimentando dele por conta própria. Esperançosa, sorrindo por dentro sem mover os lábios. Eu sei qual é a tua, Sávio. Eu devia te deixar sem notícias minhas pra tu ver o que é bom pra tosse. Tu gosta de mim? De que jeito? Seu filho d’uma égua, eu não consigo ir embora, e nem tu! Admite! Caso contrário já tinha me mandado pastar e tinha dito por aqui e teria sido claro curto e grosso pra não restar dúvidas. Eu sei aonde a gente vai se ver: no inferno! E não vou pedir desculpas por isso, nunca! Fique com raiva e cansado de mim, me mande ir embora! Não faça isso, ou faça. Eu não sei, às vezes não aguento esse amor-sozinho. Sinto uma dor no coração, como agora. Tu acha que vai ficar pra sempre com ela? E se não for ela, mas for outra e nunca eu? Se sim me diga pra eu sair.
Eu me apaixono por ti e tu, dizendo que me ama, sem me contar nada se manda pra Bélgica com uma mulher. Eu te amei de verdade, seu cafajeste, eu iria contigo até pra baixa da égua, e tu faz isso comigo!!! Porra, Sávio, tu me iludiu esse tempo todo, seu merda! Vai pro inferno! Eu não tenho sangue de barata, não vou sair dessa fingindo que tá tudo bem porque não tá. Não aguento mais esse negócio de Camila pra lá e pra cá. Camila topa tudo e não sei mais o quê. É o casal incrível e perfeito demais. Tô mesmo com ciúme, inveja, queria estar no lugar dessa loira aguada sorridente, mas não, tô aqui comendo o pão que diabo amassou, nesse inferno de cidade quente pra caralho. Pois me odeie, Sávio, se é que cabe ódio no seu coração, porque desprezo, tu já me deu bastante. Agora me esquece, que eu vou te esquecer também, e quando a gente se encontrar por aí não vai jogar na minha que eu fui embora. Tu já foi faz é tempo, eu é que não tinha percebido. Burra, cega, surda que sou.
Perdi as esperanças de que um dia tu sejas meu. Tu tens ideias boas, és um homem bom no geral. Teu problema é que tu é cafajeste mesmo. Não teve coragem de dizer que nessas quatro paredes não há nada mais que mereça alguma importância. Nesse ponto tu foi um covarde. Tu fala tanto em honestidade pois seja honesto comigo! E não fique preocupado pensando que vou bisbilhotar tua vida na internet. E não escreva me desmentindo, em canto algum – guardanapo usado, saco de pão sujo de açúcar, extrato bancário, lenço de papel, pele, calça jeans - dizendo que ama, porque esse teu amor é escasso demais – quase nada, não me serve. Também não tô nem aí se essas palavras te causam aflição, tu mesmo já me deixou aflita por demais nesse banco de reserva. Pensei que conseguiria ser só tua amiga - meu coração quer mais. Tu devia ter sido mais claro, tu devia ter me avisado quando tu foi embora desse quadrado. Mas não, me deixou aqui esperando, esperando... Cansei. Fica aí com sua garota-incrível. Não te desejo o mal não. Te desejo tudo de bom. Só não atazane mais a minha vida, muito menos os meus sonhos, e digo o mesmo pra sua garota.
Adeus, Sávio. Cansei da tua ausência.

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