quinta-feira, 26 de setembro de 2013

a garota do outro lado da rua

invencível, sonhadora, fora dos padrões realistas do rodo cotidiano, inflamado de conformismo e concessão  abastecido de um aterrorizante caos vigoroso e vicioso. ah, sim era tudo isso disposto numa vitrine viva. linda de ser vista, e desejável participação comprometida. como já ouviu em algum lugar 'american way of life", onde a felicidade é o cartão de entrada, e sim, podendo dispor dela no decorrer da história, mas com altas doses de cultura sintética, a mais pura morfina do mercado. ora bolas, quem liga? é melhor pensar que é feliz. olha toda essa gratuidade de sexo, maquiagem, roupas justas, óculos escuros, cabelos sedosos. ela queria saber se todos os andarilhos são cabeludos. "eu sou" ela pensava. eis a prova concreta de que não descende de índio. é domingo. puxou uma mesa e sentou-se de costas pra parede afim de alguma privacidade, eles não poderiam saber que ela, a adoradora, estava falando mal deles consigo mesma. todos sabem da sua queda pelo vandalismo. cerveja hoje não, obrigada. eu te amo, sim. não sabe quem lhe contou sobre uma tal maldição irlandesa. todas gordas e ficam pensando como mantem o corpo (que nem é lá essas coisas) magro. "controle a boca" dizia. o que é que tu queres? "um pau gostoso que consiga manter uma conversa agradável e goste de música boa, coisas diferentes e que saiba beijar na boca. fim." todo esse rodeio pra acabar em sexo. "sim."

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