quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Rise

:D

do infame lúdico 

a garota do outro lado da rua

invencível, sonhadora, fora dos padrões realistas do rodo cotidiano, inflamado de conformismo e concessão  abastecido de um aterrorizante caos vigoroso e vicioso. ah, sim era tudo isso disposto numa vitrine viva. linda de ser vista, e desejável participação comprometida. como já ouviu em algum lugar 'american way of life", onde a felicidade é o cartão de entrada, e sim, podendo dispor dela no decorrer da história, mas com altas doses de cultura sintética, a mais pura morfina do mercado. ora bolas, quem liga? é melhor pensar que é feliz. olha toda essa gratuidade de sexo, maquiagem, roupas justas, óculos escuros, cabelos sedosos. ela queria saber se todos os andarilhos são cabeludos. "eu sou" ela pensava. eis a prova concreta de que não descende de índio. é domingo. puxou uma mesa e sentou-se de costas pra parede afim de alguma privacidade, eles não poderiam saber que ela, a adoradora, estava falando mal deles consigo mesma. todos sabem da sua queda pelo vandalismo. cerveja hoje não, obrigada. eu te amo, sim. não sabe quem lhe contou sobre uma tal maldição irlandesa. todas gordas e ficam pensando como mantem o corpo (que nem é lá essas coisas) magro. "controle a boca" dizia. o que é que tu queres? "um pau gostoso que consiga manter uma conversa agradável e goste de música boa, coisas diferentes e que saiba beijar na boca. fim." todo esse rodeio pra acabar em sexo. "sim."

silencio no seu silêncio

 eu conheci o sávio em 2009, numa rede social, quando eu andavas às boas com a tristeza e solidão. adormecida num relacionamento sem ternura e sem verdade, me via a beira de um abismo numa rota de fuga alucinante. só tinha duas opções  ou me rendia ao conforto dolorido de uma amor desgastado pelo tempo e falta de compreensão  ou me jogava de corpo e alma numa vida totalmente nova e desconhecida. me joguei, tão certa como telma e louise naquele penhasco. me joguei para renascer na dor da libertação. e nesse processo conheci o Sávio, que veio como um anjo pervertido pra alegrar meus dias de aflição. lembro de quando eu ia dormir com um sorriso de orelha a orelha. Ah, era tão bom, qualquer meia palavra, os e-mails extensos, as coisas sobre a vida, sobre a simplicidade, falsos valores num saco sem fundo, chafurdar na lama, todo um ideal de uma vida sem luxo, mas extremamente rica. Tudo era uma delícia. no início tudo eram flores. suas mãos com poder de sutura existencial  sua beleza interior, a delicadeza em manusear as palavras, suas atividades espartanas, sua barba paciente, sua beleza de espírito... e agora todo nosso amor está sendo corroído pelo tempo como a ferrugem corrói o ferro. hoje o que resta dessa relação que um dia foi linda, são só lembranças. não sinto nenhuma mágoa, nem raiva. tudo de ruim passou. é uma pena você não escrever mais, abandonou até seu blog. a ultima postagem foi há mais de um ano!
bem , e nessas suas ausências que me estragavam a alma de tristeza, escrevi o Ler Antes de Escrever pro Sávio. escrevi deitada na cama, enquanto chorava pensava em umas coisas pra te dizer. me veio a ideia de pegar um lápis e escrever tudo pra não esquecer,  fiz isso na parede pra no dia seguinte repassar pro papel... Essa minha mania de escrever como se estivesse falando com ele... a linha que divide o receptor é tênue.
segue o texto

escrito em 10 de novembro de 2012


Eu não gosto de críticas. Não gosto delas quando eu, na minha visão de mundo, estou crente da minha verdade. Não gosto de ser chamada de burra, lerda ou ingênua. Disponho de uma inteligência peculiar, um ritmo diferente e um coração selvagem. Eu que gosto tanto de falar de mim, eu diferente na minha concepção humana, na ânsia por uma vida prazerosa, eu que ainda não descobri o quero ser quando crescer, odeio ser contrariada com argumentos estapafúrdios. Depois de trinta anos assentindo com a cabeça para minha mãe, retruquei todas as suas acusações contra a minha pessoa. Sinceramente, nem gosto de lembrar desse dia, mas quero pôr aqui uma pedra no que me faz mal.
E tu, Sávio. Tu não vai dizer nada? Eu sei que tu não concorda com um par de coisas que eu digo. Se tu tivesse me dito tuas críticas, tu acha que eu já teria parado de te escrever? Me convença de que estou errada! Admito meu erro quando me dão bons argumentos. Agora dei pra sonhar com tua garota-incrível também, nas duas ultimas vezes que tu apareceste, lá estava ela (num grude como um calo no pé, usando um cabelo que nem o meu dessa última vez). E a gente, eu e você, de costas um pro outro pra eu trocar de roupa. Por que tu nunca me chamou, Sávio? Por que tu nunca quis me ver de perto? Por que tu nunca pediu pra eu parar de te escrever? Eu não ia te fazer nenhuma dessas perguntas, mas eu não aguento não fazê-las. Quem sabe de repente uma hora dessas tu resolve responder.
Quando eu era menina fazia coisas de menina. Quando adulta tenho que fazer coisas de adulta. Por que eu ainda não morri? Que merda.  Dada aos extremos. Meu delicioso defeito. Mórbida, sórdida não. Infeliz, descontente. Eu quero morrer e quero viver, eu quero me afundar num buraco escrevendo sobre minha tragédia e joelhos frágeis, sobre meu coração aflito e confuso e sobre coisas que nunca vi, sobre uma incógnita até hoje indecifrável, tu. Por que ainda estou viva? Se num instante de perigo sei que lutaria pela vida? Sim! Porque ainda estou viva! O homem lobo na minha vida, eu me alimentando dele por conta própria. Esperançosa, sorrindo por dentro sem mover os lábios. Eu sei qual é a tua, Sávio. Eu devia te deixar sem notícias minhas pra tu ver o que é bom pra tosse. Tu gosta de mim? De que jeito? Seu filho d’uma égua, eu não consigo ir embora, e nem tu! Admite! Caso contrário já tinha me mandado pastar e tinha dito por aqui e teria sido claro curto e grosso pra não restar dúvidas. Eu sei aonde a gente vai se ver: no inferno! E não vou pedir desculpas por isso, nunca! Fique com raiva e cansado de mim, me mande ir embora! Não faça isso, ou faça. Eu não sei, às vezes não aguento esse amor-sozinho. Sinto uma dor no coração, como agora. Tu acha que vai ficar pra sempre com ela? E se não for ela, mas for outra e nunca eu? Se sim me diga pra eu sair.
Eu me apaixono por ti e tu, dizendo que me ama, sem me contar nada se manda pra Bélgica com uma mulher. Eu te amei de verdade, seu cafajeste, eu iria contigo até pra baixa da égua, e tu faz isso comigo!!! Porra, Sávio, tu me iludiu esse tempo todo, seu merda! Vai pro inferno! Eu não tenho sangue de barata, não vou sair dessa fingindo que tá tudo bem porque não tá. Não aguento mais esse negócio de Camila pra lá e pra cá. Camila topa tudo e não sei mais o quê. É o casal incrível e perfeito demais. Tô mesmo com ciúme, inveja, queria estar no lugar dessa loira aguada sorridente, mas não, tô aqui comendo o pão que diabo amassou, nesse inferno de cidade quente pra caralho. Pois me odeie, Sávio, se é que cabe ódio no seu coração, porque desprezo, tu já me deu bastante. Agora me esquece, que eu vou te esquecer também, e quando a gente se encontrar por aí não vai jogar na minha que eu fui embora. Tu já foi faz é tempo, eu é que não tinha percebido. Burra, cega, surda que sou.
Perdi as esperanças de que um dia tu sejas meu. Tu tens ideias boas, és um homem bom no geral. Teu problema é que tu é cafajeste mesmo. Não teve coragem de dizer que nessas quatro paredes não há nada mais que mereça alguma importância. Nesse ponto tu foi um covarde. Tu fala tanto em honestidade pois seja honesto comigo! E não fique preocupado pensando que vou bisbilhotar tua vida na internet. E não escreva me desmentindo, em canto algum – guardanapo usado, saco de pão sujo de açúcar, extrato bancário, lenço de papel, pele, calça jeans - dizendo que ama, porque esse teu amor é escasso demais – quase nada, não me serve. Também não tô nem aí se essas palavras te causam aflição, tu mesmo já me deixou aflita por demais nesse banco de reserva. Pensei que conseguiria ser só tua amiga - meu coração quer mais. Tu devia ter sido mais claro, tu devia ter me avisado quando tu foi embora desse quadrado. Mas não, me deixou aqui esperando, esperando... Cansei. Fica aí com sua garota-incrível. Não te desejo o mal não. Te desejo tudo de bom. Só não atazane mais a minha vida, muito menos os meus sonhos, e digo o mesmo pra sua garota.
Adeus, Sávio. Cansei da tua ausência.







sexta-feira, 20 de setembro de 2013

gira girassol

sim eu quero conhecer. encontrar um lugar onde eu me sinta bem. dentro de mim mesma. 
"Foi quando eu tinha 19 anos meu pai me perguntou: - ''Porra afinal de contas, o que você vai querer da sua via??? Respondi: - Tudo o que eu puder levar!
Conforto, estabilidade, segurança, garantia, consideração social. Pra mim não tava dizendo nada, eu sempre tive e não me dizia nada. Pelo contrario, eu tinha vergonha de pertencer ao meio que eu pertencia. Porque eu olhava em volta e via que eu era um privilegiado eu não gostava disso." – Eduardo Marinho, artesão, filósofo de rua.

as ruas falam






menos do que gostaria ter pulado, amei mais do que deveria ter amado, vivi, vivo, viverei (!), mas às vezes de forma tão precária que putzs é uma merda só. por isso pulei menos do que gostaria ter pulado



não se pode esperar nada das pessoas. a não ser que você espere ser chateado, magoado, incompreendido, aí sim, uma hora ou outra isso vem. são coisas que eu não entendo. esse mundo cão. puxa, como o ser humano complica as coisas. como o ser humano pode ser tão cruel, vil... e desvio o pensamento de todas coisas ruins que existe olhando pra minha cadela deitada aqui do meu lado, faço um carinho em sua barriga, ela se sente bem. levanto a cabeça, olho pro espelho, vejo num rosto uma expressão cansada, levemente bonita e triste. nossa, como eu queria algo a mais na vida, uma coisa  especial, estimulante. sei lá, poderia ser até um livro dos bons, um e-mail dos bons. mas esse ultimo, sinceramente, é bem difícil. é mais fácil minha cadela começar a falar. porra, como é que eu invento de gostar de um cara desses. como que pode eu posso sentir tanto amor por uma pessoa que nem conheço direito. talvez quando conhecer direito eu pare de amá-lo. é... a minha raiva já passou durou o quê, um mês. será que foi um mês? acho que foi menos. como é que pode?... quatro anos. Quatro anos... centenas de e-mails. algumas idas e vindas. comportamentos imbecis. declarações de amor mal feitas. todos os tapas que você me deu. e eu aqui, te amando, tão burra. porra lembrei daquela música "eu devia te odiar". que merda...