"Durma-se com um barulho desses apesar de todos os santos e todos os dolares... Amor sozinho é besteira." Essa nossa onda de amor ninguém vai cortar.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Ecce Homo pág. 26
"No fato de um home bem-educado fazer bem aos nossos sentidos: no fato de ele ser talhado em uma madeira que é dura, suave e cheirosa ao mesmo tempo. A ele só faz gosto o que lhe é salutar; seu prazer, seu desejo acabam lá onde as fronteiras do salutar passam a estar em perigo. Ele adivinha meios curativos contra lesões, ele aproveita acasos desagradáveis em seu próprio favor; o que não acaba com ele, fortalece-o. Ele acumula por instinto tudo aquilo que vê, ouve e experimenta à sua soma: ele é um princípio selecionador, ele reprova muito. Ele está sempre em sua própria companhia, mesmo que esteja em contato com livros, pessoas ou paisagens: ele honra pelo ato de selecionar, pelo ato de permitir, pelo ato de confiar. A todo tipo de estímulo ele reage lentamente, com aquela lentidão de uma longa cautela e um orgulho desejado inculcaram nele - ele testa o estímulo que se aproxima; ele está longe de ir ao encontro dele. Ele não acredita no "infortúnio" nem na "culpa": ele dá conta de si mesmo e dos outros; ele sabe esquecer... Ele é forte o suficiente a ponto de fazer com que tudo tenha de vir para o seu bem..." Nietzsche
Noveleta
"Na minha impureza eu havia depositado a esperança da redenção nos adultos. A necessidade de acreditar na minha bondade futura fazia com que eu venerasse os grandes, que eu fizera à minha imagem, mas a uma imagem de mim enfim purificada pela penitência do crescimento, enfim liberta da alma suja de menina. E tudo isso por ele e por mim. Minha salvação seria impossível, aquele homem também era eu. Meu amargo ídolo que caíra ingenuamente nas artimanhas de uma criança confusa e sem candura...
A copa das árvores se balançava para frente e para trás. 'Você é uma menina muito engraçada, você é uma doidinha', dissera ele. Era como um amor. Não, eu não era engraçada. Sem nem ao menos saber, eu era muito séria. (...) E, por Deus, eu não era um tesouro. Mas se eu antes já havia descoberto o ávido veneno com que se nasce e com que se rói a vida - só naquele instante de mel e flores descobria de que modo eu curava.
(...)
Eu era a escura ignorância com suas fomes e risos, com pequenas mortes alimentando minha vida inevitável - o que podia eu fazer? Eu já sabia que eu era inevitável. Mas se eu não prestava, eu fora tudo o que aquele homem tivera naquele momento. Pelo menos uma vez ele teria que amar, e sem ser a ninguém - através de alguém. E só eu estivera ali. Se bem que esta fosse a sua única vantagem: tendo apenas a mim, e obrigado iniciar-se amando o ruim, ele começara pelo que poucos chegaram a alcançar. Seria fácil demais querer o limpo; inalcançável pelo amor era o feio, amar o impuro era a nossa mais profunda nostalgia. Através de mim, a difícil de se amar, ele recebera, com grande caridade por si mesmo, aquilo de que somos feitos.
Entendia eu tudo isso? Não.
(...)
Ali estava eu, a menina esperta demais, e eis que tudo o que em mim não prestava servia a Deus e aos homens. Tudo o que em mim não prestava era o meu tesouro.
(...)
De chofre explicava-se para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um nos outros para amar e dormir."
A Descoberta do Mundo - Clarice Lispector.
A copa das árvores se balançava para frente e para trás. 'Você é uma menina muito engraçada, você é uma doidinha', dissera ele. Era como um amor. Não, eu não era engraçada. Sem nem ao menos saber, eu era muito séria. (...) E, por Deus, eu não era um tesouro. Mas se eu antes já havia descoberto o ávido veneno com que se nasce e com que se rói a vida - só naquele instante de mel e flores descobria de que modo eu curava.
(...)
Eu era a escura ignorância com suas fomes e risos, com pequenas mortes alimentando minha vida inevitável - o que podia eu fazer? Eu já sabia que eu era inevitável. Mas se eu não prestava, eu fora tudo o que aquele homem tivera naquele momento. Pelo menos uma vez ele teria que amar, e sem ser a ninguém - através de alguém. E só eu estivera ali. Se bem que esta fosse a sua única vantagem: tendo apenas a mim, e obrigado iniciar-se amando o ruim, ele começara pelo que poucos chegaram a alcançar. Seria fácil demais querer o limpo; inalcançável pelo amor era o feio, amar o impuro era a nossa mais profunda nostalgia. Através de mim, a difícil de se amar, ele recebera, com grande caridade por si mesmo, aquilo de que somos feitos.
Entendia eu tudo isso? Não.
(...)
Ali estava eu, a menina esperta demais, e eis que tudo o que em mim não prestava servia a Deus e aos homens. Tudo o que em mim não prestava era o meu tesouro.
(...)
De chofre explicava-se para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um nos outros para amar e dormir."
A Descoberta do Mundo - Clarice Lispector.
sábado, 9 de outubro de 2010
Recado para uma amiga.
Simone, acabei de gravar o número do teu celular no meu. Pois é, fiquei de ligar... Foi mal. Passei poucos dias em Santarém. E nesses poucos dias fui tomada por um cansaço ameno decorrente das noites mal dormidas por culpa do forró. Dancei pra burro esses dias... Bebi um pouco de vodka, mas nada que me fizesse resvalar no ridículo. Tudo dentro dos limites. Inebriação limitada. Eu te vi no show do Bruno e Marrone com seu digníssimo marido. Mas acho que você não me viu. Se viu, fingiu que não. O que eu acho pouco provável. Então em meio a toda essa exaustão arrumei um tempo para visitar minha avó e meu afilhado. Mas a gente pode se falar pelo msn, se você ainda quiser, claro. Meu e-mail tá no perfil me adiciona aí porque eu não sei o teu. Eu já voltei para Belém. E semana que vem começa a aula prática. Por Deus, não sei como vai ser. Esse lance de parto me assusta um pouco. Todos dizem que a obstetrícia é uma caixinha de surpresa. Mas o PSF me entedia. E entre o que me causa tédio e o que me assusta, prefiro este ultimo. É mais interessante. Minha vida continua a mesma. Eu continuo a mesma, apesar de ter incluído novos hábitos (ainda continuo assustando gente com meus poderes telepáticos) e com estes minha rotina não é mais tão cansativa. Agora tem um “quê de pecado acariado pela emoção”. Mas é um pecado manso perdoável por Deus. Algumas pessoas acham que minha decisão, sabe aquela decisão, teve dedo/influência do “cão miudo”. Mas eu não penso nele e entrego minha vida a Deus. Ele sabe disso, mas quer e espera que eu reze toda noite fazendo essa oferenda. Já disse uma vez no perfil do orkut, não sei se você leu, que Jesus é um cara interado e que me entende. Geralmente eu o procuro quando estou angustiada, o que é errado, talvez. Mas acho que ele não quer nada forçado de mim. Falar só por falar, por obrigação. Ele espera espontaneidade não só de mim, mas de nós duas, de todos. Tem de haver emoção. Eu acho. Minha emoção não é restrita à angústia, aflição, dor (o que já senti deveras e espero não sentir mais, mas sei que vou tê-la novamente. Minha humanidade implica em sentir tudo isso aí). Tem também paz, calma, felicidade, contentamento o que não está em par de igualdade com o oposto deste. Agora sinto esses ultimos. Durmo bem. Procuro acordar cedo. Não estou trabalhando e não me sinto no ócio. Minha mente fervilha coisas metafísicas o que atrapalha meu estudo. Tenho pouca concentração para ele. Por conta da mografia eu preciso pensar mais em ciência. Mas isso comparado ao transcendental é chato pra cacete. Eu espero que você tenha paciência pra ler tudo isso e que ache interessante. Pois eu acho! Sou interessantíssima, pena que só por dentro. Por fora passo desapercebida. Que saco! Queria ser mais amada. Receber mais amor. Me doar mais. Faria isso por alguém se entendesse que havia reciprocidade. Dizem que amar é dar sem receber. Eu preciso receber. Apenas com a doação me esvazio. Preciso me encher de alguém. Não digo somente do lance sexual aquela coisa de amor Eros. Falo do Agape e do Philos também. Pow, isso ficou legal. Vou colocar no perfil do orkut entitulado: Recado para uma amiga. Espero que você não se importe em ter seu nome estampado no início do texto. Mas acho que não. Falo apenas de mim. Não tem nada de você. Exceto a minha estima por sua pessoa que está implícito nas entrelinhas, pois eu não perderia meu tempo com gente desagradável. Sinta-se feliz. Sorria. Eu sou péssima em dar conselhos. Meu ombro é magro, mas eu ponho um travesseiro se você quiser pra ficar mais confortável e o desabafo sair com a leveza que ele merece. Bjos e saudades.
11/08/2009
11/08/2009
Uma exceção...
Mas convivo harmoniosamente entre os normais e apaixono-me por eles. Principalmente pelos que têm comportamento peculiar e são criativos. É até meio curioso. Eu sempre me agrado com gente assim à primeira vista, ou não. Às vezes, acontece à segunda vista. Mesmo sem dialogo ou sem “aproximação aproximada”. Bom, quanto a mim, sinto-lhe informar que sou interessantíssima. Mas provavelmente você não compartilha da mesma idéia que eu. Isso é problema seu. O meu é comigo mesma. Vivo caindo em contradição. Mas não me preocupo com isso. Como diria o sábio Falcão: é melhor cair em contradição, que do 8º andar. Sou para mim como um suco de maracujá adoçado na medida certa. Doce e abrasador ao mesmo tempo. Sem virar mel e sem ser enjoativo. Para os outros, sou a moça que passa pela vida e que, “por Deus, essa não aguenta. Perde fácil. Tem o dom da telepatia”. Nada sistemática (exceto no trabalho) vou fazendo o que tenho vontade. Não programo, não faço planos, nem cálculos. Só vou indo e pensando. Pensando na vida, nas coisas metafísicas dela e vou além disso (se é que é possível). Ando fugindo do pragmatismo. Não por rebeldia, mas com o intuito de me libertar das amarras que a vida me deu. Talvez, você que esteja perto não perceba isso, e se não percebe é porque não está perto o suficiente para ver. É um lance um tanto sutil (adoro isso, essa coisa de “ser, ter um lance”...). Estudo apenas para saber mais. Instrução é um lance bacana (estudaria mais se tivesse mais concentração. Meu pensamento vive disperso. Não sei para onde ela foi, deve ter ido para o Reio do Beleléu. Não jogaria uma coisa importante no lixo. VOLTA SUA DESGRAÇADA! :D Preciso de ti para ser alguém para os outros). Se o salário vai aumentar ou não, isso não importa. Eu quero é viver bem, num lugar bom e com gente legal. Dinheiro é bom? Claro! Ninguém em sã consciência vive sem ele. A mola que move o mundo. E eu sonho com um mundo melhor. E esse é um que não vai acontecer. Infelizmente. Não tenho pretensão de mudá-lo. As coisas boas que saem de mim são para o singelo consenso ao meu redor. Não, não quero entrar em atrito. Nem discutir com ninguém. Não sou melhor, nem pior. Mas saiba que o que sei é nada. Sei nada, nada mesmo. Principalmente enquanto corro. Aí, sim, “emburreço” de vez. E gosto muito de ouvir. Apenas me fale de você e do que você pensa sobre “farpas feitas de algodão que não tem o peso declarado de uma pedra” (elas me atingem todo dia, mesmo com meu incansável esforço em não estar na direção delas). Não estou alheia ao mundo, mas de vez em quando, sim. Dá muita vontade. Residência fixa?!? Nããã... Um dia terei uma (quem sabe daqui a 2 ou 3 meses. Antes do fim do ano resolvo esse negócio), mas por enquanto a idéia de ficar pra lá e pra cá me agrada e muito. Tornei-me expert em viajar com pouca coisa (minha mala é beeem menor que a do meu irmão). Fui até chamada de hippie esses dias. Hippie maquiada! Não aquela maquiagem que esconde o rosto ou outra coisa qualquer (sentimento, vileza...) servindo de máscara. Falo daquela que realça a beleza física! “Me desculpem as feias, mas beleza é fundamental.” E o espírito hiponga está na praticidade, no desapego. Entretanto há amadurecimento, e isso é notório para mim. Aquele resquício que havia ganhou uma porção maior (não aquela que é completa. Ainda sou capaz de cometer os erros mais óbvios nessa vida) acompanhada de batata frita com sabor diversão. Diversão... Aquela do mês de julho! Vou levá-la comigo. Estava precisando de uma injeção de ânimo. Põe mais um real desse troço aí! Hehe. Aproveita que a "véia" ainda está puncionada. Andava meio para baixo... Andava, andava... Passado, que passou. Tudo passa... O ferro passa, a uva passa... Aff, que jeito ruim de terminar uma descrição... Estava indo tão bem... Mas é aquele lance: o que é bom, dura pouco. Nesse caso menos de um mês. Aaaahhhh...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Shhhhhhhhh...
"Silenciem as portas e seus umbrais que esperam por chegadas. Sirvam-me de algumas porções de saudades. E depois, a coragem. Quero ficar aqui. (...) Que meu ficar seja para preparar o futuro. Um ficar cheio de silêncio, sem as disperções das falas, sem os absurdos das respostas prontas. Que o meu sofrer se transmude em atos de esperanças, assim como a noite dá lugar ao dia.O meu querer é pouco, cabe em minha mão. Eu só quero é ser real."
Hoje é dia de silêncio, porque hoje eu acordei com um enorme sentimento de culpa. Quem mais nesse mundo acorda cedo sentindo dor na cabeça e no estômago, come devagar sem saborear o alimento e em seguida sente culpa? Culpa de quê? Eu sonhei com fogo e escapei da morte no sonho. Incendiaram uma cabana e um helicoptero explodiu...
19/08/09
Hoje é dia de silêncio, porque hoje eu acordei com um enorme sentimento de culpa. Quem mais nesse mundo acorda cedo sentindo dor na cabeça e no estômago, come devagar sem saborear o alimento e em seguida sente culpa? Culpa de quê? Eu sonhei com fogo e escapei da morte no sonho. Incendiaram uma cabana e um helicoptero explodiu...
19/08/09
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