Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa.
Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".
Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi...
Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios.
Era um presente atrasado, aquém de si mesmo." (Arnaldo Jabor)
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| Ser ou não ser, eis a questão. |
Acabei de crer o problema sou eu mesma (rindo pra não chorar). Já ouvi dizer também: "comece a mudança por você que o mundo mudará também".
Outra coisa, eu sou muito lenta por natureza. Esse negócio de que tudo sugere velocidade, urgência, rapidez... Pessoas com obrigação de ser feliz. Fe-li-ci-da-de: eterna bem-aventurança.
No meu ponto de vista, ninguém é feliz. Nessa terra está pra nascer um ser plenamente feliz. Ple-ni-tu-de: estado ou qualidade de quem está completo. Acho que sempre vai faltar um pedaço, alguma coisa a ser colorida.
Porra, também que graça tem, ser pleno. As pessoas mais interessantes que eu conheço eram angustiadas, depressivas, insensatas (aos olhos da sociedade). outro dia eu sonhei que um cara de barba ruiva me dizendo que eu era assim, insensata. Pois que eu seja então.
Olha, sinceramente, eu me into avulsa nesse mundo. Não me sinto parte de nada.

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