_A mamãe, me ligou. Quer falar contigo.
_Pois é, eu vi uma chamada perdida. O que é que ela quer?
_Quer conversar contigo, porque tu não fala nada, tu não conversa. Ela tá com medo de tu ficar deprimida.
_Ai, eu vou ficar "muito deprimida"... A mamãe tá que nem uma menina que trabalha aqui na frente de casa, que disse pra uma mulher que me vê saindo e entrando em casa todo dia e que nunca me viu sorrindo. Mas sim, o que é que ela quer? Que eu fique sorrindo pros quatro ventos da rua? Eu heim...
Olha, eu não sei por que diacho esse povo se incomoda tanto com meu jeito. Eu sou educada, procuro tratar todo mundo bem... Eu não um ursinho carinho não, minha gente! Nem pretendo ser! Não espere que eu vá te abraçar e te beijar ao te ver, quando eu mal te conheço. Contente-se com um aperto de mão e olhe lá! E mamãe eu já nasci levemente deprimida. Infelizmente vou carregar isso até a morte, porque é algo inato mesmo. Mas pode deixar que eu vou tomar cuidado pra ela não tomar conta de mim. Vou cuidar bem dela.
Também te amo.
"Durma-se com um barulho desses apesar de todos os santos e todos os dolares... Amor sozinho é besteira." Essa nossa onda de amor ninguém vai cortar.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Eu sou neguinha?
Eu tava encostada, ali minha guitarra
No quadrado branco-vídeo-papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais
Que coisa à toa, boa boa boa boa boa
Eu tava com graça...
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg, no Bronx, no Brás
E eu e eu e eu e eu
A me perguntar:
Eu sou neguinha?
Era uma mensagem, lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava...
Era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não
Tava perguntado:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
(Vanessa Da Mata)
terça-feira, 17 de abril de 2012
F.F.F.
"Nós dois/ Já tivemos momentos/ Mas passou nosso tempo/ Não podemos negarFoi bom/ Nós fizemos histórias/ Pra ficar na memória/ E nos acompanharQuero que você viva sem mim/ Eu vou conseguir também"me deixa em paz pelo amor de Deus!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Uma descoberta
Baseado num dos sonhos prodigiosos que teve nos ultimo mês, ficava horas escarafunchando o pensamento tentando decifrar alguma coisa. De repente compreendeu que o ex-noivo e a mãe dela estavam mancomunados: queriam dar cabo de sua afortunada lucidez. Sentiu medo. Viu a maneira como despendiam um tipo de amor tão ludibriado que matava ao invés de fazer viver. Pensou também, que não faziam isso por maldade, mas porque achavam que assim era que se amava e se cuidava de verdade - como só haviam recebido amor dessa forma, só dessa forma é que podiam oferecê-lo. Então pensou na proteção e preocupação de sua mãe, que poderiam ser tão equivocados quanto ela mesma. Ficou feliz com os planos que já havia feito, e esperava executá-los o quanto antes. Mesmo que voltasse em seguida, ela, a adoradora, culpada por tudo que não havia feito, precisava experimentar uns dias de liberdade, e ser merecedora dos crimes que só cometia em pensamento, pois aquela redoma de proteção, já não era mais necessária, inclusive embaçava seus olhos ávidos por enxergar direito.
Hoje ela recebeu uma notícia ruim que poderia atrapalhar seus planos. Ficou pensativa e triste. Pensou que se dessa vez não conseguisse sair iria desistir de vez. Mas que antes disso ia tentar como pudesse, mesmo que fosse por meios ilícitos. Seu coração doeu, ela chorou e fez o que tinha que fazer: foi trabalhar.
sábado, 7 de abril de 2012
a adoradora
atordoada pelas lembranças do passado, mas contente pela sua grande extensão de alma engatava um livro atrás do outro como instinto de sobrevivência. lia com avidez e o coração quase seco de aflição, pois sentia medo-de-assombração de um futuro tão próximo, que ela já imaginava o que poderia acontecer.
sem saber por que, não comia carne naquele dia. rezou um pai nosso e dez ave marias, e acompanhou a leitura que a madrinha fez da bíblia exatamente às três horas da tarde, a hora em que jesus morreu. pensou que a morte ocorreu em outro continente e que o fuso horário era diferente deste. achou aquilo equivocado, mas preferiu não comunicar o erro.
exasperada pelo calor vespertino banhou-se na caixa d'água, que fazia as vezes de piscina. impura desde sua concepção, exaltou seu próprio corpo na solidão da sexta-feira santa mais despovoada da sua vida, e rogou a deus por uma companhia ou a coragem de amputar, pois do jeito que estava é que não podia ficar. "afastem-se que a vida é curta".
salvou uma borboleta amarela do desejo de morrer afogada, olhou ao seu redor e lembrou do sonho que teve esta noite e de todos os outros que pareciam interligados. começou a pensar que livre arbítrio era coisa séria e não brincadeira de deus.
ficou aflita mais uma vez e se deteve na água morna - até os dedos ficarem enrugados - esperando a hora de ir embora.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
autor desconhecido
“Sorria, brinque, chore, beije, morra de amor, sinta,
sonhe, grite e, acima de tudo, viva.
O fim nem sempre é o final. A vida nem sempre é real.
O passado nem sempre passou.
O presente nem sempre ficou e o hoje nem sempre é agora.
Tudo o que vai, volta.
E se voltar é porque é feito de amor”
sobre raiva de verdade
De tudo, te tudo mesmo eu gostaria do fundo do meu coração de nunca, nuca mais sentir raiva. Eu gostaria que nenhum ser humano fosse capaz de despertar esse sentimento em mim. Gostaria de ser uma pessoa tão serena e complacente que riria um riso de amor diante das asneiras com que eu me deparasse como ontem. "Querida, eu não sou sua coleguinha, nem de ninguém. E não precisa me explicar as coisas como se eu fosse um retardado mental porque se tem alguém aqui com algum problema é você, com esse seu vocabulário infantil e falta de percepção das coisas", eu pensei agora, porque na hora eu estava com tanta raiva, tanta raiva, que a única coisa que me veio à cabeça foi pensar que ela era chata pra caralho, e que eu iria jogar todos aqueles papéis no lixo mais tarde, e que desde aquele momento até o resto da minha vida eu só irei fazer uma notificação quando for extremamente necessário. Meu trabalho é fazer o que é certo (justamente o que eu faço), e se as pessoas acham que o que eu faço é pouco e errado, fodam-se pra sempre.
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