quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Clarice Linspector e Tom Jobim



"Qualquer resquício de savoir-faire me apavora.(...) Só a criação satisfaz. Verdade ou mentira, eu prefiro uma forma torta que diga, do que uma forma hábil que não diga nada." 
Savoir-faire... Know-how... 
Meu castigo - e glória ao mesmo tempo - é ter um coração selvagem e não saber o que fazer com ele. Deus arrancai-me o que é a origem de tanta dor. Dai-me no lugar deste um coração de pedra, resignado e frio. (Eu não estou pedindo errado, só tenho tendência ao devaneio). Porque essa chama custa caro, me queima. E a febre que é só minha por natureza, afasta outros corações frios por falta de entendimento e pouca clareza de instinto. Uma vez de tanto sentir dor a chama em mim se apagou e um coração frio se aproximou. Cansada da frieza total e cega, nasceu em mim "esta vontade de me espojar na violência: a doçura da paixão." Deus, quantos corações ardem em fogo vivo? Quantos são detentores de amor puro? Quantos veem leveza em morrer de liberdade, amore mio?
Tomando uma cerveja e acomodado numa poltrona confortável. Tom Jobim se encheu de notável sabedoria e disse à Clarice Lispector: "A coisa mais importante do mundo é o amor, a coisa mais importante como indivíduo é a integridade da alma, mesmo que no exterior ela pareça suja. Quando ela diz que sim, é sim, quando ela diz que não, é não. E durma-se com um barulho desses. Apesar de todos os santos, apesar de todos os dólares. Quanto ao que é amor, amor é se dar, se dar, se dar. Dar-se não de acordo com o seu eu - muita gente pensa que está se dando e não está dando nada - mas de acordo com o ente amado. Quem não se dá, a si próprio se detesta, e a si próprio se castra. Amor sozinho é besteria."

Um lance trivial

Nat, como eu te disse anteriormente durante a ligação enquanto eu adentrava o shopping, está tudo certo. Mas deixa eu te contar como foi...

Peguei carona com o Taylon. Beleza! Economizei o do taxi, e se tivesse ido de buzão teria que andar um bocado até chegar no prédio de odonto. Ele me deixou lá, bem na entrada. “Pow, valeu, Taylon”, disse antes de sair do carro e joguei um beijinho. 

Tinha um garoto sentado num banco e um homem apostos atrás de uma mesa. E eu lá no rol de entrada do prédio com cara de “E agora , José?”. Fiquei alguns segundos nessa, até que o rapaz se adiantou. Graças a Deus.

_ Você é irmã da Natália, não é?
_ Humrum, sou sim. Disse com um espanto e um sorriso no rosto enquanto pensava: “Égua, Natália. A mamãe repetiu mesmo a forma! Eu hein... Cacetada, Shrek!
_É aí dentro subindo as escadas.
_Valeu!

Sabe, o negócio lá demorou, mas resisti como uma obra de Aleijadinho: Perfeita. Levei comigo um livro interessantíssimo, “Quem me roubou de mim?” do Fábio de Melo. Como um padre pode dizer coisas tão reais sobre relacionamento entre homem e mulher sem ter vivido nenhum? O livro é muito bom. Eu recomendo.

Como a espera foi longa. Li o livro quase todo. E entre esse ler, e as expressões de admiração que fazia enquanto lia, reparei nas pessoas do recinto. Sinto-lhe informar que tem um “mala” e umas patricinhas na sua turma. Claro que foi visão rápida. Vi de longe, e àquela distância foi isso que percebi. Talvez eu esteja errada quando a isso. Também tinha um povo calado e outros que riam e falavam alto. Reconheci uma garota atípica no meio. Parece ser legal e descolada. Ela usa um piercing no nariz. Tem o cabelo longo, liso e preto. Estava com uma bolsa vermelha e óculos de grau. Quanto aos homens, bem, tem um particularmente sedutor. Porte meio atlético, ares de seriedade, tem os olhos claros, se não me engano. Mas nem te ilude, provavelmente já tem compromisso com outra moça. 

Depois de tudo resolvido fui para o shopping. Almocei uma bobagem por lá, só que nada muito gorduroso, pois meu estômago não aguentaria o tranco. É claro que meu estomagozinho precisa ser tratado com mais esmero. Tadinho, eu o agrido e ele desconta em mim. É um toma lá, da cá diário. Isso me lembra que tenho que fazer uma endoscopia.

Só para registrar. Isso tudo foi escrito na praça de alimentação, no verso da tua xerox de identidade. Sentada de costas para o Rei do Mate e de frente para a Livraria Newstime e Tabacaria Top Line. Sabe, eu ainda sinto fome. Minha cabeça está meio estranha. É prenúncio de que ela vai doer e muito se eu não ingerir um analgésico logo, logo.

É legal ficar sentada aqui vendo o povo passar e te escrever essas coisas. Faço isso mais por mim que por ti: escrever. É impulso puro. Faz com que eu me sinta bem. E não se sinta diminuída com a minha sinceridade. Tu sabe que eu te amo. Eu também me amo. De certo eu morreria por você e por qualquer um lá de casa. Nossa isso me deu uma pontinha de tristeza...

Sinto saudade de todos. O estágio ainda não começou e passo a maior parte do tempo em casa, no quarto... Sabe, o quarto está meio bagunçado. Não consigo mantê-lo organizado. Contudo ele está limpinho. Limpo como minha alma, arejado como meu mundo.

Aprendi umas coisas novas sobre o amor lendo o livro do padre. Um dia vou falar sobre isso no perfil do Orkut para dividir com o resto do mundo. E vou colocar esse recado no perfil também. Você não se importa, não é?. 

Beijos e te amo



Agora está no blog, pra sempre!

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu pensei...

em acabar com Meg na Rua Himmel. "Não, vai ficar muito mórbido. Mórbido demais, e eu não sou assim". Não sou mesmo. Apesar de ter esperanças que o mundo acabe em 2012, existe luz em mim. Além de outras coisas boas. Eu sou um ser humano bom e gosto de reticências... 
Ai, ai... 
Alguém disse: "O fato é que nem sempre podemos agradar a todos. não há como negar ou esconder certas verdades que vão se tornando cada dia mais evidentes. tento manter isso sobre controle.' eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. não gosto de rotina. eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso. e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. são poucas as pessoas pra quem eu me explico .Um dia a gente aprende que é preciso cair para saber se levantar, chorar para poder sorrir, parar para poder correr, perder para poder lutar, ouvir para poder falar e arriscar para poder viver e vencer!" 
E eu concordo com esse alguém.

Um pouco de verdade...

...Dói, mas só no começo...
Sou uma garota legal. Falo pouco, penso muito e sinto demais. - Não que isso seja algo de que eu possa vangloriar-me. É apenas algo inerente - . Tenho uma alma prolixa e simples. Luto contra a corrupção do meu Eu. É difícil... Assim como Henry, tenho uma natural contrariedade a tudo. Sou educada. Quando ébria, altero o tom de voz, sinto-me melhor e feliz. Tudo ilusão, claro. Meu sonho é correr dez quilômetros em cinquenta minutos. Treino para isso. É evidente que esse não é o único, mas cabe no perfil do orkut. Os outros guardo pra mim ou compartilho com os que estão bem próximos. Gosto mais de cachorros que de crianças. Frenquentemente me sinto mal, por vezes acordo feliz, sensação é claro que não dura muito tempo, as horas se encarregam naturalmente em acabar com isso em mim. Ocasionalmente assisto tv. Nem vejo, nem leio jornais. Sou a pessoa mais desinformada desse mundo. Detesto a Fátima Bernardes e o Willian Boner. Se acham os maiorais apresentando aquele jornalzinho de merda da globo. Jó Soares é um cretino. Eu gostava dele até perceber que a imagem que ele passa no seu programa é pura atuação. Jó não é um cara legal. Ele finge ser. Paulo Coelho tem um grande poder de alienação com aqueles livros meia-boca que ele escreve. Eu li um pra nunca mais fazer isso. 
As pessoas fazem muitas coisas. Fazem o que têm que fazer. Mas não fazem o que é realmente importante. Eu não faço muita coisa. Grande merda ter/fazer um monte de coisa inútil. Você faz várias coisas sem sentimento. Eu paro e sinto tudo, mas não sinto por você ser o que é. Isso é problema seu. E independente de sermos diferentes podemos ter uma conversa amigável, só não espere que eu fale muito... A maioria das pessoas finge ser feliz. Outros se esforçam em ser bons em alguma coisa. Odeio gente que vive sorrindo. Aparentam ser tão sem problemas. Imaculados... E o pior, são tão amados... São bonzinhos demais, meigos demais, prestativos demais... Aff! Mas no meio disso tudo existe gente que realmente é feliz e boa. Você é feliz? De verdade? Então, meus parabéns pra você!

Isso foi escrito em 17 de setembro de 2009 por mim mesma, claro.

Duas horas

"Esta inquietude,
este meu mal viver,
Tudo isso
resolvido
numa foda.
Uma foda bem resolvida
resolve quase tudo.
E odeio Darwin,
e odeio Bukowski,
porque odeio os extremos
quando têm razão.

E odeio as fodas.
os copalares,
copulantes,
copuladores...
Somos a própria vulgaridade
da foda
enquanto
os cachorros
trepam na rua. 
 

Só pra constar...

Ontem eu me levei pra dar uma volta. Saí comigo, e bebi comigo. E me surpreendi, não sabia que eu era tão bom "partner". Conversei comigo, percebi quão bom eu e eu juntos poderia ser. Quero mais estar comigo. Quero mais de mim. E, se sobrar para mais alguém, que sejam sobras para meus amados estimados. E se não for, que sejam sobras/restos bem aproveitados. Espero ser amado/feliz/suportado por mim, enquanto eu seja mim. E minha professora de Português diria: "Grafia, concordância, sintaxe". E eu diria: "Semântica". E seria isso, só isso, tão somente isso." (Melocoton) - foi assim que eu vi assinado. Mas o título é da Ana Júlia, amiga da Suede.