e ficou por isso: eu sem entender nada... até que um homem me mandou uma "carta", um cara chamado Sávio Ribeiro, que por sinal estamos sem nos falar porque ele é um grosso.
eis o texto escrito por ele:
Morrer
“É mais fácil
quebrar um átomo do que um hábito.” Disse Albert Einstein... E eu não disse
quase nada o ano inteiro, fissurado (antes uma fissão nuclear) em ver as
vitrines... As pessoas expostas em vitrines, as pessoas que as pessoas fingem
ser, expostas em vitrines, as pessoas que as pessoas têm que ser, expostas em
vitrines... Cercado de tantos ninguém verdadeiro e diante da tela de um
computador, este ano fui mais um expectador da vida efêmera e caricata dos
alteregos ao redor, esquecendo como todo mundo, de fazer algo verdadeiro, antes
pra si mesmo que para outrem, como escrever por exemplo... Como conversar
comigo mesmo, e permitir que alguém ouça (você).
Hábitos...
Ainda pude perceber, hoje, que mantenho velhos hábitos, e que não sou feliz, e
que sei somar dois mais dois, serei eu burro de não entender o que significa um
quatro? Eu entendi... Mas não compreendi, não separei conhecer e saber, não
incorporei as lições tão antigas que a vida tenta me passar há tanto tempo,
tantos anos, e eu continuo com os mesmos hábitos... Ter honra, caráter,
palavra, honestidade, parabéns para mim, mas ser acomodado, descrente,
afeiçoado a prazeres a curto prazo repetidos, repentinos e a juros tão altos,
isso, são as velhas fugas de sempre, os velhos hábitos, que me fizeram sentar
aqui hoje e escrever, depois de tanto tempo sem fazer isto. Perdi este hábito,
hora vejam só... Um bom hábito, um hábito que me define, logo, perdi-me por
hábitos mais desencontrados.
Hábitos...
Velhos hábitos, que me acompanham de idades cada vez mais numerosas e
longínquas.
As vezes
parece que temos que morrer para que os velhos hábitos morram com a gente.
Estou
detestando Fortaleza e o perfil geral do fortalezense, pretendendo ir embora em
um ano. Vi meu quarto minhas coisas, armários, e vi quanta coisa teria que
deixar pra trás, e que me sentiria ótimo na verdade. Fiz um grande apanhado e
dei muita coisa! O quarto ficou limpo... Límpido, onde nele parece circular
agora... Vida.
No começo da
faxina eu era tendencioso a manter mais coisas e depois, já estava jogando fora
ou separando pra dar, coisas que antes considerava ainda importantes ou então
que depois me desfaria delas. Não importa se algo parece importante... Coisas
importantes também devem partir, quando não são mais suas nem você mais delas.
Frutas têm o tempo certo de serem saboreadas justamente para nos ensinar a
alimentar-se direito. Alimentar melhor a mente, o corpo, o coração.
Hábitos... Os
velhos hábitos que te trouxeram aos mesmos problemas tão teus...
Preciso ficar
mais em silêncio, escrever mais. Preciso deixar as janelas mais abertas, e
evitar menos as pessoas, ao passo que devo também, importar-me menos com o que
elas pensam e assim, poder mesmo deixar minha porta aberta mais vezes... Para
que eu não fuja, o velho hábito de fugir pra dentro de si!
Dentro de mim
eu escalo as montanhas mais lindas onde ainda não consegui chegar perto. Dentro
de mim eu sou valorizado pelas pessoas mais valiosas que não estão em peso, nesta
província. Dentro de mim eu sou rockeiro e nunca estou só, nisso. Dentro de mim
estou há tantos anos, que fora de mim me tornei uma casca imensa e autômata que
roubou a minha vida! Quero a minha vida de volta... Quero recomeçar dos
quadrinhos da infância, mantendo os de adulto. Quero recomeçar do que escolho
pra comer, pra pensar, pra fazer... Chega de vagar a esmo pelas ruas, pelos
sites, pelos túneis circulares e enfeitados onde vai a boiada chique (nada mais
cafona que ser chique) na frente e a boiada pobre atrás... Mas é uma pôrra de
um túnel circular!
Mais zazen,
mais silêncio, mais frutas, mais água, mais mar, mais pessoas, mais nãos, mais
cansaço, mais qualidade de sono.
Quebrar
hábitos... Estar invulnerável em meio ao tiroteio, e vulnerável dentro de minha
armadura. Só é corajoso aquele que tem o medo e o vence. Que eu encontre onde
está o meu medo, e o vença, ou morra, mas não retroceda. Nada mais.
era essa a carta na qual a rilza comentou. era essa... tudo está ligado. era rilza me dizendo pra aproveitar a vida porque só se vive uma vez. não há mais volta, não dá pra mudar se você tem uma vida medíocre e morre, apenas enquanto está vivo. era o recado! meus dois queridos, dois mortos ....