quinta-feira, 6 de setembro de 2018

criando hábito

não sei bem ao certo, mas acredito que tudo começou quando eu voltei a tomar lítio (por conta própria), estava com os mesmos sintomas de antes da crise: irritabilidade, impaciência, choro casual. 

comecei o uso do lítio dia 14 de agosto. o remédio demora cerca de seis semanas pra fazer efeito. eu não queria gastar com mais remédio, mas vou ter que tomar a fluoxetina porque os choros me incomodam muito. e não quero mais chorar. estou esperando uma oportunidade de ir à santarém e comprar tudo de uma vez. inclusive mais tinta pra pintar o cabelo, pois está metade ruivo e metade loiro....

junto com a tomada do lítio eu me desvencilhei das redes sociais. eu estava meio que viciada, e ficava preocupada pensando se as pessoas iam gostar da minha postagem. assisti uns vídeos no youtube sobre vícios em redes sociais e decidi que era melhor largar tudo. 

nesse mesmo tempo comprei o livro O Poder do Hábito, uma vez que eu quero muito criar o hábito de estudar todos os dias. já tem umas três semanas que estou tentando, mas olha, é muito difícil. é preguiça, é dor de cabeça, é diarreia, é falta de internet, é mãe falando, é convite pra comer... tudo acontece na hora que eu sento pra estudar. segundo os pesquisadores, um hábito demora cerca de seis meses pra se instalar. tem muito tempo até lá

estou começando com meia hora de estudos e pretendo prolongar pra três horas com um intervalo de quinze minutos a cada uma hora e meia.

junto a tudo isso, eu me mudei pra Mojuí porque minha carga horária aumentou, e como eu chegava tarde e muito cansada em casa, não valia a pena voltar pra stm só pra dormir. ao final da primeira semana da mudança de horário eu mudei pra cá e comprei uma moto 110c, que é o que cabe no meu orçamento, pra eu me locomover na cidade já que não tem ônibus rodando o tempo todo.

entretanto, desliguei as notificações do whats pra não ficar olhando o celular toda hora, vejo vídeos que eu considero produtivos, e procuro ler mais, mas só acho livro chato nesse caralho, puta que pariu, só tem música chata também, e séries e filmes chatos... ou será que eu virei uma chata???

eu decidi mudar, talvez parte dessa chatice seja necessária nesse processo. eu preciso de um 7,5 no ielts pra mudar minha vida pra melhor

terça-feira, 31 de julho de 2018

"quando um homem te mandar uma carta..."

uma vez eu sonhei com uma amiga minha que já morreu faz um tempo. e nesse sonho ela falava comigo. ela disse: "quando um homem te mandar uma carta shdkdhbcgchfndbdusddndj". e eu dizia "o quê??? não tô entendendo!". e ela: "quando um homem te mandar uma carta tdhdffyvfvmdldj"

e ficou por isso: eu sem entender nada... até que um homem me mandou uma "carta", um cara chamado Sávio Ribeiro, que por sinal estamos sem nos falar porque ele é um grosso.

eis o texto escrito por ele:


Morrer

“É mais fácil quebrar um átomo do que um hábito.” Disse Albert Einstein... E eu não disse quase nada o ano inteiro, fissurado (antes uma fissão nuclear) em ver as vitrines... As pessoas expostas em vitrines, as pessoas que as pessoas fingem ser, expostas em vitrines, as pessoas que as pessoas têm que ser, expostas em vitrines... Cercado de tantos ninguém verdadeiro e diante da tela de um computador, este ano fui mais um expectador da vida efêmera e caricata dos alteregos ao redor, esquecendo como todo mundo, de fazer algo verdadeiro, antes pra si mesmo que para outrem, como escrever por exemplo... Como conversar comigo mesmo, e permitir que alguém ouça (você).
Hábitos... Ainda pude perceber, hoje, que mantenho velhos hábitos, e que não sou feliz, e que sei somar dois mais dois, serei eu burro de não entender o que significa um quatro? Eu entendi... Mas não compreendi, não separei conhecer e saber, não incorporei as lições tão antigas que a vida tenta me passar há tanto tempo, tantos anos, e eu continuo com os mesmos hábitos... Ter honra, caráter, palavra, honestidade, parabéns para mim, mas ser acomodado, descrente, afeiçoado a prazeres a curto prazo repetidos, repentinos e a juros tão altos, isso, são as velhas fugas de sempre, os velhos hábitos, que me fizeram sentar aqui hoje e escrever, depois de tanto tempo sem fazer isto. Perdi este hábito, hora vejam só... Um bom hábito, um hábito que me define, logo, perdi-me por hábitos mais desencontrados.
Hábitos... Velhos hábitos, que me acompanham de idades cada vez mais numerosas e longínquas.
As vezes parece que temos que morrer para que os velhos hábitos morram com a gente.
Estou detestando Fortaleza e o perfil geral do fortalezense, pretendendo ir embora em um ano. Vi meu quarto minhas coisas, armários, e vi quanta coisa teria que deixar pra trás, e que me sentiria ótimo na verdade. Fiz um grande apanhado e dei muita coisa! O quarto ficou limpo... Límpido, onde nele parece circular agora... Vida.
No começo da faxina eu era tendencioso a manter mais coisas e depois, já estava jogando fora ou separando pra dar, coisas que antes considerava ainda importantes ou então que depois me desfaria delas. Não importa se algo parece importante... Coisas importantes também devem partir, quando não são mais suas nem você mais delas. Frutas têm o tempo certo de serem saboreadas justamente para nos ensinar a alimentar-se direito. Alimentar melhor a mente, o corpo, o coração.
Hábitos... Os velhos hábitos que te trouxeram aos mesmos problemas tão teus...
Preciso ficar mais em silêncio, escrever mais. Preciso deixar as janelas mais abertas, e evitar menos as pessoas, ao passo que devo também, importar-me menos com o que elas pensam e assim, poder mesmo deixar minha porta aberta mais vezes... Para que eu não fuja, o velho hábito de fugir pra dentro de si!
Dentro de mim eu escalo as montanhas mais lindas onde ainda não consegui chegar perto. Dentro de mim eu sou valorizado pelas pessoas mais valiosas que não estão em peso, nesta província. Dentro de mim eu sou rockeiro e nunca estou só, nisso. Dentro de mim estou há tantos anos, que fora de mim me tornei uma casca imensa e autômata que roubou a minha vida! Quero a minha vida de volta... Quero recomeçar dos quadrinhos da infância, mantendo os de adulto. Quero recomeçar do que escolho pra comer, pra pensar, pra fazer... Chega de vagar a esmo pelas ruas, pelos sites, pelos túneis circulares e enfeitados onde vai a boiada chique (nada mais cafona que ser chique) na frente e a boiada pobre atrás... Mas é uma pôrra de um túnel circular!
Mais zazen, mais silêncio, mais frutas, mais água, mais mar, mais pessoas, mais nãos, mais cansaço, mais qualidade de sono.
Quebrar hábitos... Estar invulnerável em meio ao tiroteio, e vulnerável dentro de minha armadura. Só é corajoso aquele que tem o medo e o vence. Que eu encontre onde está o meu medo, e o vença, ou morra, mas não retroceda. Nada mais.


era essa a carta na qual a rilza comentou. era essa... tudo está ligado. era rilza me dizendo pra aproveitar a vida porque só se vive uma vez. não há mais volta, não dá pra mudar se você tem uma vida medíocre e morre, apenas enquanto está vivo. era o recado! meus dois queridos, dois mortos ....