quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os Imortais

Dos vales terrenos
Chega até nós o anseio da vida:
Impulso desordenado, ébria exuberância,
Sangrento aroma de pastos fúnebres.

São espasmos de gozo, ambições sem termo, mãos de assassinos, de usuários, de santos,
O enxame humano fustigado pela angústia e pelo prazer.
Lança vapores asfixiantes e pútridos, crus e cálidos,
Respira beatitude e ânsia insopitada, devora-se a sim mesmo para depois se vomitar.

Manobra a guerra e faz surgir as artes puras, adorna de ilusões a casa do pecado,
Arrasta-se, consome-se, prostitui-se todo nas alegrias de seu mundo infantil;
Ergue-se em ondas no encalço de qualquer novidade
Para de novo retombar na lama.

Já nos vivemos no gelo etério transluminado de estrelas;
Não conhecemos os dias nem as horas, não temos sexos nem idades.
Vossos pecados e angústias, vossos crimes e lascivos gozos,
São para nós um espetáculo como o girar dos sóis.

Cada dia é para nós o mais longo.
Debruçados tranquilos sobre nossas vidas, contemplamos serenos as estrelas que giram,
Respiramos o inverno do mundo sideral; somos amigos do dragão celeste:
Fria e imutável é nossa eterna essência, frígido e astral é nosso eterno riso.
(O Lobo da Estepe - Herman Hesse)
. . .

Quando li esse poema na hora lembrei-me desta fotografia. Não sei porque... Talvez porque os imortais tenham a mesma aparência dos outros e estão camuflados na multidão. De repente até adotam o mesmo estilo de vida, pra se misturar e apreciar os pecados e angústias, crimes e lascivos gozos... 
Contudo, sua essência é um diamante bruto, seu coração é selvagem e sua alma é prolixa... Então, senhor Sávio, não me condene pelas fotos.


Tirinhas





Lindo poema


"Nem sempre sou igual no que digo e escrevo. Mudo, mas não mudo muito. A cor das flores não é a mesma ao sol, de que quando uma nuvem passa. Ou quando entra a noite, e as flores são cor de sombra. Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores. Por isso quando pareço não concordar comigo, reparem bem para mim: se estava virado para a direita, voltei-me agora para a esquerda. Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés- O Mesmo sempre, graças ao céu e a terra, e aos meus olhos e ouvidos atentos. E a minha clara simplicidade de alma..." (Fernado Pessoa).
              

cartas que eu não mando - I

Helga, queria te contar um sonho que eu tive ainda a pouco:
Eu sonhei que estava num barco. Navegando num rio de água limpa e tinha tom de azul. O dia estava claro e bonito. O rio tinha muitas rochas, rochas gigantescas. O barco passava raspando numas dessas pedras, como no filme Titanic, quando o navio colidia com um iceberg.
Aí comecei a gritar: "EU NÃO QUERO IR! EU NÃO QUERO IR!". Estava muito angustiada.
Parecia um pesadelo e eu sabia que estava sonhando. Engraçado é que toda vez que isso acontece eu quero acordar e começo a gritar "MÃE!". Mas dessa vez o problema não era acordar, o problema era ir pra onde eu estava indo. Na hora do sonho eu sabia qual era o lugar, só que agora não lembro. 
Não tenho certeza, penso que o barco ia afundar. Talvez eu não quisesse morrer.
O que é que tu acha?

Beijão