Dos vales terrenos
Chega até nós o anseio da vida:
Impulso desordenado, ébria exuberância,
Sangrento aroma de pastos fúnebres.
São espasmos de gozo, ambições sem termo, mãos de assassinos, de usuários, de santos,
O enxame humano fustigado pela angústia e pelo prazer.
Lança vapores asfixiantes e pútridos, crus e cálidos,
Respira beatitude e ânsia insopitada, devora-se a sim mesmo para depois se vomitar.
Manobra a guerra e faz surgir as artes puras, adorna de ilusões a casa do pecado,
Arrasta-se, consome-se, prostitui-se todo nas alegrias de seu mundo infantil;
Ergue-se em ondas no encalço de qualquer novidade
Para de novo retombar na lama.
Já nos vivemos no gelo etério transluminado de estrelas;
Não conhecemos os dias nem as horas, não temos sexos nem idades.
Vossos pecados e angústias, vossos crimes e lascivos gozos,
São para nós um espetáculo como o girar dos sóis.
Cada dia é para nós o mais longo.
Debruçados tranquilos sobre nossas vidas, contemplamos serenos as estrelas que giram,
Respiramos o inverno do mundo sideral; somos amigos do dragão celeste:
Fria e imutável é nossa eterna essência, frígido e astral é nosso eterno riso.
(O Lobo da Estepe - Herman Hesse)
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Quando li esse poema na hora lembrei-me desta fotografia. Não sei porque... Talvez porque os imortais tenham a mesma aparência dos outros e estão camuflados na multidão. De repente até adotam o mesmo estilo de vida, pra se misturar e apreciar os pecados e angústias, crimes e lascivos gozos...
Contudo, sua essência é um diamante bruto, seu coração é selvagem e sua alma é prolixa... Então, senhor Sávio, não me condene pelas fotos.
Contudo, sua essência é um diamante bruto, seu coração é selvagem e sua alma é prolixa... Então, senhor Sávio, não me condene pelas fotos.





